segunda-feira, maio 23, 2016

Opinando - Esquerda e Direita

O Brasil se tornou um lugar, nos últimos anos, de efervescência política enorme. Discordem o quanto puderem, mas é fato de que, se há 15 ou 20 anos as pessoas diziam, com dentes cerrados, "odeio falar de política", hoje em qualquer mesa de bar é capaz de se ouvir as últimas dos governos.

Nossa jovem república alcançou a adolescência, e acho que nossas discussões e nosso entendimento de política atingiu grau semelhante de maturidade. Não que em outros lugares, com nível educacional melhor e relações políticas com maior pressão do escrutínio público, esteja muito diferente. Algumas idéias que aparecem em fóruns ou artigos da América do Norte ou Europa são de chorar. Mas, mesmo assim, a discussão por lá tem um nível genericamente melhor.

O Brasil teve, ao longo dos últimos 30 anos, vários matizes de esquerda. O discurso é tão pervasivo que mesmo partidos considerados "de direita" (podemos depois arguir sobre se existe direita formal no Brasil) fazem declarações típicas da esquerda - "apoio ao trabalhador", "garantir os direitos dos mais pobre através de ações do Estado", etc.

Surgiu, nos últimos meses, um movimento ainda mal articulado de pessoas, todas se identificando como "a nova direita". Para termos uma noção melhor disso, acho que apenas deveríamos renomear esse grupo de "não concordo com a esquerda". Por quê?

Assim como as pessoas de alinhamento ideológico à esquerda, é muito difícil colocar no mesmo saco, por exemplo, um conservador cristão católico, outro conservador, também cristão, mas evangélico, um libertário e um linha dura da segurança pública. Dentro da ótica muitas vezes míope da imprensa e para quem olha "de fora", são todos iguais.

Afinal, qual é a discussão importante? O que deveria estar na mente de todos é o que é melhor para o país, e não quem ganha ou não do outro - seja em virtudes, seja em feitos ou falta de malfeitos. Ao se avaliar as diferenças - e semelhanças! - dos grupos, só vejo uma variável que permite com clareza separar quem está à direita ou à esquerda. Essa variável é o tamanho do Estado.

Quem está à direita quer um governo menor. Ponto. O quanto menor é o que define a "matiz" da direita. Quem quer um governo ultra-enxuto poderia se dizer extrema-direita. Alguém que concorda com o governo dando saúde, segurança já tem outra percepção, bem como quem considera importante a presença da educação pública de qualidade - o que acrescenta, bem ou mal, mais uma fonte de gasto público com necessidade de receita. Alguém que quer um governo ausente, seria a extremíssima direta.

O tamanho do Estado define, por exemplo, se haverá ou não participação do governo em empreendimentos esportivos, culturais, o quanto se regula o dia a dia das pessoas com burocracia, os serviços de bem estar social. Um subentendimento do tamanho do Estado é o tipo de regime econômico empregado - se o governo tem rígidos controles financeiros, impõe limites de (des)valorização da moeda e tenta "achatar" os valores de salários, pode-se dizer que é socialista. Ao contrário, a liberalização de capitais e do mercado implica em um Estado menor, o que é classicamente entendido como um valor de direita.

Já quem se define à esquerda acredita que o Estado é capaz/responsável por trazer bem estar social, com serviços de saúde, segurança, educação, além de, com políticas públicas definidas, tentar "equalizar" populações ou comunidades díspares em seu território, fomentando a igualdade e a justiça. A esquerda acredita que as desigualdades - sejam financeiras, sejam de oferta de serviços essenciais ou de acesso (palavra usada neste caso de forma bem ampla) - estão na raiz dos conflitos entre pessoas e grupos. À medida que cresce a crença da importância do tamanho do Estado - o que se entende também de quem o controla - aumenta o que podemos dizer de "esquerdização" dos valores. É importante ressaltar também que, de maneira geral, a crença na importância do indivíduo em relação à comunidade/coletivo diminui na mesma direção.

Esse entendimento simples de esquerda e direita permite tirar muito do que "polui" as discussões e trazem um grau inadequado de bile, de ambos os lados. Por exemplo, pautas como feminismo, direitos dos homossexuais, porte de armas, aborto, papel da religião na socidade e no Estado - nenhuma delas pode-se dizer que pertencem ao discurso de um ou de outro grupo. Muitas dessas pautas terminam, às vezes, no lado da "esquerda", pelo simples fato das pessoas serem mais vocais ao defender elas, mas é totalmente inadequado pensar que ser a favor do aborto, por exemplo, é ser de esquerda, ou de que ser religioso é ser de direita. Não há lógica, e encontramos defensores da igreja e do aborto em ambos os lados.

E quem está certo? Os dois! Alguns países estão muito bem obrigado conduzindo políticas de esquerda ou de direita. Na verdade, os melhores exemplos têm ambos os lados conduzindo uma parte ou outra das políticas públicas. Em nosso país, faltam muitas decisões que beneficiem a competição entre empresas e melhoria de gestão; ao mesmo tempo, temos problemas graves de desigualdade e falta de acesso mesmo aos mais básicos serviços que entendemos como de Estado, como saneamento e segurança.

Chegou a hora de pararmos de torcer por um lado ou outro, porque ninguém vencerá assim. Precisamos separar as pautas, sentar e conversar, e tentar reduzir ataques ad hominem ao mínimo - se você precisa ofender para argumentar, é porque seu argumento não está bom. O culto ao espírito bufão BBB que vive no povo precisa ser deixado para trás.

segunda-feira, maio 16, 2016

Saindo do Facebook

Depois de muitas vezes pensar se saía ou não do Facebook (FB), decidi por fim levar a cabo o término da conta. Acho que já falei com umas 10 pessoas sobre isso; nenhuma deu muita importância. Acho que é meu ego, triste por ter reparado nisso, mas achei que a notícia teria maior valor explosivo.

Os primeiros dias são estranhos... Volta e meia me pego escrevendo na barra de endereço "face...", aí me dou conta e paro. Há maneiras de conviver melhor com o FB, mas eu não consegui transformar ele em uma ferramenta de contato, e só. Ultimamente, perdi muito tempo lendo artigos e artigos de colunistas e opinadores sobre "N" problemas do país; soube mais das pessoas do que gostaria; vergonha das vergonhas, comecei a me sentir infeliz ao ver tudo que os outros fazem de legal.

Eu sei que o que se publica é algo como "melhores momentos" da vida de cada um, (... Acabou o rascunho e nem lembro o que escrevia, óbvio...)

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2 anos e meio depois

Saí do Facebook há quase 3 anos. É engraçado porque realmente lembra aquele vício que tu consegue deixar de lado, mas sem te livrar definitivamente. Volta e meia tenho vontade de voltar. Às vezes é bem forte, às vezes esqueço. Acho que parar de fumar, meio sem vontade, é mais ou menos do mesmo jeito.

O que mais sinto falta é ver boas idéias do que o pessoal tem feito - leia-se, fotos das viagens que a gente fica roxo de inveja. Ou bons restaurantes. Ou parques. Whateva. Tem também outra coisa um pouco mais irritante, que é o fato de que boa parte de lojas e empresas usa o Facebook como alavanca de anúncios, e às vezes determinadas promoções ficam "escondidas" ou são exclusivas do Facebook. Muito 1984 isso da parte do FB.

Será que eu volto?

Atividade

Pois é, eu ainda existo.

Não "eu", o inútil que escreve os textos, mas "eu" o conceito de blog que vira e mexe permeia o ideário consciente da pessoa Pedro, que persiste em procrastinar e me chamar de "Depois".

O fato é que o cara decidiu, depois de uma tarde de irritação pela própria improdutividade, deletar uma grande parte de jogos que estava registrado no Steam. Sobrou apenas o Cities: Skylines, que ele sabia que não jogaria tão frequentemente. Notou que a vida passava abanando para ele, e o tempo não fica guardado para depois aproveitar. Além disso, tinha tanta coisa nomeada "depois" que simplesmente ficou inviável distinguir o "depois" do "depois-" ou "depois1".

O blog meio que ganhou um gás com a visualização de projetos semelhantes. E por que não? O tempo que pode ser dedicado para isso não é tão grande, e ajuda a ventilar o dia-a-dia. Além do que, serve para ficar longe dos jogos e mais perto do "útil e agora", que até o momento são poucas coisas nomeadas na vida.

Bem vindo de volta, velho amigo.