terça-feira, novembro 05, 2013

Perdendo peso - 1

Entre os vários assuntos que pensei em escrever ao longo de um blog, nunca pensei que falaria de dieta... MINHA dieta. Na verdade, meu emagrecimento.

O caso é que, desde que entrei na faculdade, ao longo dos anos fui ganhando paulatinamente mais peso, sem um acompanhamento decente de massa muscular. É muito ruim constatar isso, considerando que durante toda a minha vida escolar, a partir da 6ª série, eu participei da equipe de atletismo. Corri, em diversos eventos, provas de 100, 200 e 400 metros livres, bem como participava dos revezamentos 4 x 100m e de salto em distância.

Medicina é uma carreira difícil para a saúde, ironicamente. Ganhei os primeiros 6-14 kg durante a faculdade, mas como sempre fui muito magro, o que aparentou mais é que eu tinha ganhado um corpo. Quando entrei no exército, depois da faculdade, não cheguei a perder o peso mas defini bastante a forma, e considero essa época o ápice da minha forma física depois da escola (embora esteja longe de ser o ápice possível).

A partir da residência, foi ladeira abaixo. Muitos plantões, muito estresse, estudos intermináveis e sedentarismo jogaram mais 10-12 kg de banha, quando cheguei por volta dos 92 kg. Mesmo depois dela, quando uma rotina com atividade física seria muito mais factível, aí foi a inércia e a preguiça que pegaram, e, mesmo com um período de divórcio que me garantiu perda de até 7 kg, voltei a ganhar tudo só na gula e atualmente cheguei nos inacreditáveis 99 kg.

Semana passada (28/10) eu resolvi dar um basta nisso. Decidi que iniciaria de qualquer forma um programa de emagrecimento, inicialmente baseado apenas em atividade física regular e nas mudanças que normalmente isso acarreta na minha alimentação. Sei que não é o suficiente, mas sou daqueles que acreditam que para mudar a vida é mais fácil mudar uma coisa de cada vez do que várias ao mesmo tempo. Como gosto de comer, deixo as mudanças dietéticas para mais adiante (embora, por conta do nascimento do Guilherme, já ter feito algumas mudanças).

Trago assim a primeira rodada de medidas (simples), para comparação futura. A ideia é também colocar uma foto do obeso, mas isso fica para um patch do post. Aqui vão elas:

28/10
Peso: 99 kg
Altura: 1,79 m
IMC = 30,897 (Obesidade grau 1)

Programa iniciado: atividade aeróbica diária, no total de aproximadamente 30-40 minutos; se feito na esteira, correr pelo menos 25 min. a 6 km/hora e em torno de 10 min. caminhar a 4,5 km/hora. Na bicicleta, manter pelo menos 25-30 km/hora durante todo o período.

A primeira semana foi interessante, e consegui uma frequência de 3 dias de exercício mais pesado, 1 dia de caminhada leve e no fim de semana não fiz muita coisa. Ainda muito aquém do ideal, mas estou feliz com o começo. O plano, no momento, não é tornar a atividade mais pesada, mas simplesmente incorporar ela no dia-a-dia, de preferência diariamente (atualmente impossível, considerando minhas quintas-feiras). Não espero perder muito peso no primeiro mês, mas com o hábito desenvolvido quero aumentar a exigência da atividade física. Depois de 3-6 meses sozinho, parto para a academia.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Que tal voltar para a vida real?


A figura acima define muito bem o problema do nosso tempo: descobrimos formas suficientes para nos isolarmos. As redes sociais definitivamente participaram dessa "revolução", mas já há mais tempo estamos perdendo as comunidades, as rodas de amigos e as conversas de bar. Mas, como em todos os movimentos da humanidade, assim como a onda da internet vem com força, podemos ver dentro dela o repuxo...


Meditações para meu filho

Daqui menos de 2 meses meu filho vai nascer. Entre os vários futuros possíveis, está aquele em que ele fala, em algum momento da infância ou da adolescência, que quer ser médico. "Pai, o que tu achas?"

O que vou dizer à ele?

- Pode ser, filho. Quer saber o que é necessário? Bom, vamos por partes:

1) Estude muito no ensino médio, e planeje ir para uma escola com bons resultados em aprovação de vestibular. Acho que terás que deixar os amigos de onde estuda e ir ao, por exemplo, Colégio Militar em Porto Alegre;

2) No fim do ensino médio, preste o vestibular/ENEM, provas que mudaram tanto nos últimos anos que é impossível saber o que afinal querem. Literatura? Se ler a Turma da Mônica está valendo. Matemática, Física, Química? Será que serão as mesmas? Ninguém fala sobre a reforma do ensino que está sendo discutida, e não ouço opiniões para o lado que deveríamos querer ir, onde estamos, o que está sendo proposto. Redação? O Português culto é avacalhado dia-a-dia, não faz o menor sentido cobrar perfeição na escrita. Me pergunto até o porquê de nos darmos o trabalho de manter o ensino dele nos moldes atuais. Com todas essas incertezas, terás que ser muito diferenciado para passar, já que a competição é grande.


3) Terás várias opções de escolas médicas, mas tens sorte que vou poder ajudar a escolher quais que realmente valem a pena o esforço de passar. Todo mundo diz que quem faz a faculdade é o aluno, mas quando a média qualitativa dos alunos de determinadas instituições é muito baixa, temo que a regressão à média exigirá um esforço muito maior para resistir do que vale a pena - melhor tentar de novo no próximo ano.
4) A faculdade, em todo o seu curso, tem horários insanos, muitas provas e trabalhos, de longe a maior carga horária de todos os cursos superiores. Ao fim de quatro anos (limite onde a maioria dos cursos termina ou se encaminha para terminar), terás então autorização de iniciar o acompanhamento supervisionado de pacientes, o que varia muito conforme a instituição - em algumas, tu serás um boneco de ar balançando os braços do lado do paciente, em outras serás o médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e assistente social dele, dependendo da estrutura do lugar onde vais trabalhar. A uniformidade da qualidade e do tipo de ensino entre instituições é um objetivo completamente esquecido dos Ministérios da Saúde e Educação.


5) Formado estás, mas médico não serás! Ainda tens um bom tanto pela frente - esse tanto representado pela residência médica, que pode variar entre 3 a 6 anos, conforme o caminho que tomas. A residência médica é onde podemos refinar o médico e treiná-lo para exercer uma ou mais especialidades. Mesmo para o médico de família, conhecido algumas vezes como “generalista”, a etapa da residência é fundamental para que consiga aprimorar suas técnicas em diagnóstico, decisão terapêutica e seguimento, bem como reconhecer os próprios limites e saber solicitar ajuda sempre que necessário. Hoje, acredito ser impossível fazer boa medicina sem a residência. É uma etapa longa, e pode se tornar ainda mais longa, conforme as discussões do Congresso sobre a formação médica; o plano é aumentar em 1 ano a residência médica, para que a mesma seja feita em emergência ou posto de saúde.

Como se não bastasse isso, conforme a especialidade (p. ex. dermatologia, otorrinolaringologia, radiologia...) será impossível passar na prova sem antes fazer parte de um programa de governo conhecido como Provab - uma espécie de “pós-graduação” em saúde pública, onde a pessoa se dispõe a atender no interior por um período de até 2 anos, com tele-aulas via internet, em troca de um bônus de até 20% na nota da prova da residência - o que significa que, na prática, não existirão pessoas que não tenham feito

6) Depois da primeira residência, é muito comum que o médico passe por uma subespecialização, não raro depois de fazer uma outra prova, essa com um nível mais difícil que as anteriores, com uma competição mais acirrada, ainda que algumas vezes com uma densidade um pouco menor. Isso é válido para a maioria das especialidades clínicas (cardiologia, pneumologia, endocrinologia, reumatologia, nefrologia, medicina intensiva, oncologia, gastroenterologia) e cirúrgicas (urologia, proctologia, cirurgia plástica, cirurgia oncológica, cirurgia digestiva, cirurgia torácica). Outras residências muitas vezes envolvem uma ênfase - isso ocorre, por exemplo, na traumatologia/ortopedia (pé, mão, joelho, ombro, quadril, coluna), na ginecologia (oncogenital, mama, fertilidade, entre outros), entre outros exemplos. Assim, não raramente aqui estamos com mais 2-3 anos de dedicação, conforme a especialidade.

7) E com tudo isso, ao final ainda tens… Uma prova de especialista. Esqueça todo o resto em termos de dificuldade. Aqui, é melhor fazer outro vestibular, que certamente é mais fácil. O nível de exigência é muito alto, e as sociedades assim o fazem para, primeiro, garantir um “selo de qualidade” que identifica que o profissional sabe bem todos os assuntos que fazem parte do âmbito da especialidade e, segundo, para impedir que picaretas que praticam de forma irregular tratamentos e procedimentos de especialistas estejam associados aos profissionais que estudam de forma séria os mesmos - em especial na hora que acontece um problema.

Vamos fazer uma soma simples do tempo que passou em todos esses passos:

Faculdade de Medicina (6 anos) + “Segundo Ciclo” (2 anos) + Residência Médica em área básica (2 anos) + Especialização (2 anos) = 12 anos.


Isso é um mínimo, porque ainda podemos ter outro tipo de cálculo:
Faculdade de Medicina (6 anos) + “Segundo Ciclo” (2 anos) + Provab (2 anos) + Residência Médica (2-3 anos) + Especialização (2-3 anos) = 16 anos, conforme a escolha feita.

Nesses anos todos, você só ganhou, no máximo, o dinheiro que conseguiu em alguma bolsa de estudos ou monitoria. Imagine que, durante esse tempo, se você entrar na faculdade com 17 ou 18 anos (um ás do vestibular!), terminará a sua formação com 30 a 34 anos (de novo, um ás, se não teve nenhum contratempo). Normalmente nesse período as pessoas namoram, casam e até mesmo começam famílias. A não ser que goste de ser sustentado pelos pais, o jovem candidato a médico hoje é obrigado a renunciar a sua vida pessoal, emocional, em prol de uma carreira que, apesar de muitos quererem, não é sacerdócio.

Médicas são quase obrigadas a ter filhos muito tarde, carregando, além da ansiedade própria da maternidade, o carga extra de culpa e medo por conta de possíveis problemas genéticos, que ocorrem muito mais freqüentemente em gestações em idade avançada.

Existem diversos problemas na formação médica brasileira, mas este, o fator tempo, é o mais ignorado. Ninguém lembra que antes de ser médico, a pessoa também deseja ter uma vida que vai além do trabalho. Não é à toa que vejo muitos colegas abandonarem a medicina depois de alguns anos, e ouço vários outros dizerem que planejam abandonar relativamente cedo a carreira. Os novos bons médicos que estão se formando em instituições de ponta estão recebendo, cada vez mais, fortes estímulos para exercer a profissão fora do país. Quem sobrará aos brasileiros?

quarta-feira, julho 10, 2013

Pequeno Desabafo

São tempos estranhos.

Passadas quase quatro semanas desde o início das maiores manifestações que esse país já viu em pelo menos 20 ou 30 anos, podemos ver com tristeza que nada mudou. Governo e políticos pisam em ovos, e tentam, de forma destrambelhada, aplacar a ira da nação.

Muitos se queixaram que os protestos perderam foco. Não tinha como ser de outro jeito, oras: são tantas as queixas, tanto o descaso dos legisladores e governantes e tanta "bola", beneficiamento mútuo, corrupção, que não tem como fechar uma alça de mira. Não é protesto com objetivo sólido, com liderança bem definida. É o cansaço com o sistema, e todo cidadão de bem não aguenta mais.

E, na hora de fazer um corre-corre, é isso que acontece: tentam, de forma improvisada, resolver a saúde num canetaço. Como os médicos são só 300000 no brasil (minúsculo mesmo, porque a nação não merece o respeito de se nomear apropriadamente), fodam-se. A (P)pa(T)to(e?)ta não sabe que está criando um perigoso precedente. Hoje o povo aplaude... Mas e quando forem outras classes, outras violações, outros decretos baixados sem consulta? E assim nasce uma nova ditadura, vindo de quem sempre se disse defensor da liberdade.

Tem teórico para tudo, mas o que mais me convence é o simples: Dilma está mal assessorada. É o que dá o conhecimento ser substituído pelo apadrinhamento - o partido, e não o técnico, administra áreas difíceis e com resultados que demoram a aparecer nas estatísticas. O mal do nosso país é que preferimos o compadre ao profissional. Certa vez, vi uma interpretação muito verdadeira do "homem cordial", o brasileiro - ao levar tudo com "cordis" (coração, em latim), está sujeito mais aos desígnios das emoções do que à sobriedade da mente, principalmente após o efeito sempre bem vindo do tempo, que esfria cólera e paixão.

Também estou tomado, atualmente, por cóleras e paixões. Hoje, se pudesse, saía desse país e tentaria terras que respeitassem melhor o Erário. Temo, contudo, que o tempo só reforçará o impulso e o transformará em convicção.

sexta-feira, maio 03, 2013

Viver mais, mais viver


Organização. Passos de formiga. Um dia de cada vez. Essas são minhas palavras de ordem - ou deveriam ser.

Não sei se é o período que estamos vivendo, mas parece que o Tempo virou um artigo de escassez absurda. Os dias voam rápido, os meses se somam como areia de ampulheta. Quando eu vejo, mais um aniversário passou.

Dizem que o Facebook faz as pessoas mais infelizes. Concordo plenamente. Volta e meia vejo fotos de alguém viajando para algum lugar muito mais legal do que eu estou no momento - o que não é difícil, quando se faz mais de 150 horas de emergência. Fico pensando no sentido disso tudo. Trabalho demais, vivo de menos. Entrei “sem querer” naquela armadilha que vivia pensando em não querer viver - fiz contas que agora tem que ser pagas, e lá se vai tempo. Volta e meia conversamos sobre a vida ser mais simples, precisar de menos para ter mais.

O que é importante? Uma casa grande? Tempo com o filho? Segurança na rua? São muitas variáveis, e muitas não são possíveis de se ter ao mesmo tempo. Por exemplo, se temos uma casa, o gasto é maior, mas tem pátio, o que é sempre bom com criança. Se moramos em um apartamento pequeno, as contas podem ser menores, e preciso trabalhar menos para ter o que precisamos e ficar mais tempo juntos - mas não tem pátio. Ter segurança na rua é legal, para ter convívio de vizinhos e confiança em deixar o filho brincar fora de casa. Mas isso aqui é difícil - teria de pensar em uma carreira no exterior, pelo menos por agora.

Tudo isso num pano de fundo de Tempo. Me assusto muito em pensar que posso chegar no fim da vida, olhar para trás e pensar “cacete, devia ter vivido mais!”. Já vi cenas com esse tipo de teor, não é bonito.

quinta-feira, abril 25, 2013

Bile

Ando mal humorado. É uma mistura estranha, envolve fissura, frustração pessoal e um sentimento genérico de não estar satisfeito com as coisas. Fico lembrando de um colega de plantão e não deixo de fazer paralelos.

As notícias do dia são a nossa muy tenebrosa seleção brasileira de futebol e os projetos desvairados para reduzir o poder do Ministério Público e do STF. Aparentemente a Justiça tem sido desvairada demais - o país não pode ser tomado de Ética e boas condutas assim de repente.

Acho tudo isso bom. Quem sabe as pessoas se tapam de nojo do futebol e comecem a olhar para tudo que pagamos e não recebemos. Sonhar nunca é demais.

segunda-feira, abril 22, 2013

Restart


Eu tinha um blog, que criei com muito carinho e fiquei alimentando por uns anos... Evidentemente, com frequência progressivamente menor. Ensaiei umas 3 ou 4 voltas, acho. Por fim, num dia de fúria, deletei todo o conteúdo. Bem dizer, foi durante o divórcio ainda, tinha conteúdo da época que estava com a ex. Preferi purgar também o meio digital de lembranças antigas.

Saudoso fico, no entanto, dos textos em si. Tinham vários muito bons, e ia ser legal dar uma continuidade no site. Mas, ao mesmo tempo, senti que estava trancado nos temas. Mudei muito nos anos e não fiz o blog me acompanhar, o que teria sido ótimo para quem pegasse depois o bonde andando. Acho que deve ser legal essa coisa de ver a evolução do “escritor” (muitos pigarros aqui), e isso fica transparente com o passar dos textos. Mas tem que ter a escrita, coisa que não tinha há horas... E escrever que vai voltar é algo do tipo “bom, vou enrolar agora um pouco para depois tentar de novo”.

Eu tenho um plano um pouco audacioso demais, mas acho que com o foco correto e dedicação, consigo tirar essa de letra. A idéia é simples. Atualmente, minha vida pode ser colocada em 3 espaços distintos:

1) Minha paternidade: com a vinda de um filho, a gente muda... Acho. Colocar os pensamentos sobre esse tema em um meio escrito seria bom para entender melhor o que isso significa para mim e também ver o que outros pensam sobre o assunto

2) Meu trabalho: essa é um no brainer. Escrever sobre o que eu faço. Mas a riqueza sobre pensar no trabalho... Essa, são outros quinhentos

3) Eu. E as dúvidas, angústias, pensamentos e memórias que se sucedem. Um pouco do que tinha ante, mas com faixa etária bem maior.

Sempre esqueço o prazer que sinto escrevendo. É bom estar de volta.