São tempos estranhos.
Passadas quase quatro semanas desde o início das maiores manifestações que esse país já viu em pelo menos 20 ou 30 anos, podemos ver com tristeza que nada mudou. Governo e políticos pisam em ovos, e tentam, de forma destrambelhada, aplacar a ira da nação.
Muitos se queixaram que os protestos perderam foco. Não tinha como ser de outro jeito, oras: são tantas as queixas, tanto o descaso dos legisladores e governantes e tanta "bola", beneficiamento mútuo, corrupção, que não tem como fechar uma alça de mira. Não é protesto com objetivo sólido, com liderança bem definida. É o cansaço com o sistema, e todo cidadão de bem não aguenta mais.
E, na hora de fazer um corre-corre, é isso que acontece: tentam, de forma improvisada, resolver a saúde num canetaço. Como os médicos são só 300000 no brasil (minúsculo mesmo, porque a nação não merece o respeito de se nomear apropriadamente), fodam-se. A (P)pa(T)to(e?)ta não sabe que está criando um perigoso precedente. Hoje o povo aplaude... Mas e quando forem outras classes, outras violações, outros decretos baixados sem consulta? E assim nasce uma nova ditadura, vindo de quem sempre se disse defensor da liberdade.
Tem teórico para tudo, mas o que mais me convence é o simples: Dilma está mal assessorada. É o que dá o conhecimento ser substituído pelo apadrinhamento - o partido, e não o técnico, administra áreas difíceis e com resultados que demoram a aparecer nas estatísticas. O mal do nosso país é que preferimos o compadre ao profissional. Certa vez, vi uma interpretação muito verdadeira do "homem cordial", o brasileiro - ao levar tudo com "cordis" (coração, em latim), está sujeito mais aos desígnios das emoções do que à sobriedade da mente, principalmente após o efeito sempre bem vindo do tempo, que esfria cólera e paixão.
Também estou tomado, atualmente, por cóleras e paixões. Hoje, se pudesse, saía desse país e tentaria terras que respeitassem melhor o Erário. Temo, contudo, que o tempo só reforçará o impulso e o transformará em convicção.